Anedotas de esquina me contam histórias de amantes perdidas em becos de um destino sem saída. Sem rumo na multidão, desconhecidos a procura do encontro escondido em olhares alheios. São eles os mesmos participantes rotineiros daquele velho jogo sem vencedores ou vencidos, cujo único objetivo é sair acompanhado e suficientemente marcado pela essência do amor.
Os contos desses romances pontuados pela vida nos deixam traçar um errôneo paralelo sobre ‘amar’. Ninguém jamais saberá a melodia desse baile de desencontros, onde ele sem querer toca a mão dela, fazendo com que se olhem nos olhos por um instante, sem se reconhecerem. Almas que são laços e não se entrelaçam pelo simples fato de laçarem outro pedaço de gente.
Porém, há sempre um ser perdido que se eterniza, inesperadamente iniciando outra obra fervendo de perigo e doçura. O beijo dele traga a mais secreta verdade dos lábios da amada, seus carinhos os desvendam e esse viver os libera para uma juventude recheada de divertidos infinitos que acabam no mais inocente fim. Sem dramas, histórias retratadas nas portas de cinemas. Mais beijos, menos lágrimas. E também o inverso.
Corações prostitutos se vendem ao mais singelo toque, e a dor que lhe é dada de troco quase mata. As paredes se enchem de desabafos antes rascunhados na própria carne. Angústia, mágoa, os olhos cinzentos. É só silêncio, mas você não houve o grito?
O amor supõe o céu. Faz do fato o surreal. É arte, e deixa pra ser obra-prima depois. Existe, e não se define em suposições, metáforas e poesia. Não escreve, não canta, não assombra. Existe, e nos permeia. Tem sua própria história escondida em reticências, e não a conta. Há mistérios que são indecifráveis (como o amor e sua insônia). Não o desvendaremos, nem mesmo em seu último suspiro.
O amor é o impronunciável, e ele tem mil disfarces.
2 weeks ago